Tratamentos

Tratamento Endoscópico

 

Balão Intragástrico

O balão intragástrico surgiu há pouco mais de 15 anos, inspirado na observação de que pessoas que tinham o hábito de comer cabelo, emagreciam muito ou permaneciam sempre magérrimos e constataram que um bolo de cabelo acumulava-se no estômago, ocupando quase que sua totalidade dando uma saciedade com o mínimo de alimento. Assim desenvolveram inúmeros balões que eram insuflados no estômago das pessoas, dos mais diversos materiais, até que chegaram a um balão bastante seguro, de silicone reforçado que começou a ser utilizado nos pacientes superobesos, que não tinham condições clínicas para realização de uma cirurgia bariátrica e necessitavam de uma perda de pelo menos 10% do peso inicial.

Com o passar do tempo esse procedimento mostrou-se bastante seguro e começou a ser indicado para pacientes com obesidade não tão severa, que não tinham indicação de cirurgia bariátrica e ao mesmo tempo o tratamento clínico isoladamente não havia surtido o efeito desejado.

Atualmente trata-se de um procedimento realizado em ambiente de clínica, sem internação, anestesia ou cortes. O paciente, em jejum de 8hs, vai até a clínica com um acompanhante (como se fosse fazer uma endoscopia comum), será realizado um exame endoscópico sob uma sedação mais profunda, realizada por um anestesista da nossa equipe; caso a endoscopia não evidencie qualquer contra-indicação, passamos o balão dezinsuflado pela garganta e com a visão endoscópica, posicionamos o mesmo, na região adequada do estômago para podermos preenchê-lo com soro fisiológico e azul de metileno.

Esse corante servirá como alarme, pois caso haja qualquer vazamento, o paciente terá a urina e fezes de coloração azulada; motivo pelo qual deverá procurar o seu médico para retirar o balão em até 24hs (condição extremamente rara, que em nossa experiência de 8 anos nunca ocorreu). Logo após a colocação do balão o paciente vai para uma sala de recuperação de endoscopia e em questão de minutos seu acompanhante o levará para casa. Nos primeiros 3 dias, o paciente deverá sentir alguns incômodos, como cólicas, náuseas e às vezes vômitos, sintomas esses que controlamos com medicação oral e raramente endovenosa. Na primeira semana o paciente terá uma alimentação exclusivamente líquida, evoluindo para uma dieta pastosa e finalmente sólida de baixa caloria. Nesse momento é essencial que a equipe multidiciplinar, que iniciou seu trabalho já antes do procedimento, atue de uma maneira coesa, para que o paciente já inicie sua mudança de hábitos e sua reeducação.

O balão irá proporcionar uma saciedade precoce, ou seja com pouco volume de alimentos o paciente ficará saciado. Esse processo ocorre de uma maneira mais intensa nos primeiros 3 meses, a partir daí o estômago vai se acostumando com o balão e o paciente vai conseguindo ingerir uma quantidade maior de alimento; isso é muito bom pois teremos 3 meses para mudar hábitos e mais 3 meses para colocarmos em prática essa mudança, antes de termos que retirar o balão com 6 meses. A perda de peso média, em nossa experiência pessoal, é de 15% do peso inicial, essa média ocorre porque que temos pacientes que se dedicaram muito a mudança de hábitos e perderam até 35% do peso inicial e aqueles que não “moveram uma palha”, perdendo 2%. Em até 2 anos de acompanhamento cerca de 50% conseguem manter a perda de peso.

Hoje, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), libera a colocação do balão intragástrico – que antes só era permitira para pacientes com IMC acima de 30, classificados como obesos – para as pessoas com IMC acima de 27 (classificadas como sobrepeso), as quais podem aproveitar mais esse método de prevenção.

 

Prós:

  • Procedimento simples sem a necessidade de uma cirurgia.
  • Liberado pela ANVISA para o tratamentos de pacientes com sobrepeso ( IMC > 27 kg/m2).
  • Está indicado para o preparo pré-operatório em pacientes super-obesos ( IMC > 50 kg/m2).
  • Com o emagrecimento proporcionado pelo Balão, os paciente perdem peso antes da cirurgia reduzindo os riscos e aumentando as chances de sucesso.
  • O Balão intragástrico proporciona perda de peso média de 10%.

 

Contras:

  • O Balão intragástrico deve ser retirado após 6 meses de sua colocação e proporciona perda de peso insuficiente ( 10% ) para a grande maioria dos pacientes obesos mórbidos
  • As possíveis complicações do Balão intragástrico são: intolerância decorrente de náuseas e vômitos, refluxo gastroesofágico, úlcera gástrica. 

Balão Ajustável

O que é?

O Balão intragástrico ajustável é um dispositivo de silicone preenchido com uma solução salina de soro fisiológico e corante azul de metileno. É colocado no estômago por endoscopia, sem cirurgia.

 

Vantagens

  • Procedimento reversível
  • Sem necessidade de cirurgia
  • Maior tempo de duração em relação ao balão convencional
  • Possibilita inflar e desinflar o balão sem removê-lo do estômago

Efeito Esperado

Por ocupar espaço, o balão faz com que a pessoa coma menos, já que ele traz a sensação de saciedade precocemente. Consequentemente, há perda de peso.

Como funciona

  1. O procedimento é feito como uma endoscopia convencional, ou seja, não há incisões ou necessidade de internação
  2. Na endoscopia, os médicos aplicam um sedativo intravenoso e uma anestesia local na garganta para prevenir tosses ou engasgos.
  3. Assim que os sedativos fazem efeito, o endoscópio é inserido pelo esôfago até chegar ao estômago e ao duodeno.
  4. Não havendo alterações no esôfago, estômago ou duodeno, o médico retira o tubo de endoscopia e o reintroduz com o balão intragástico na ponta. O balão é, então, inserido no estômago e inflado.
  5. Meses depois de inserido, o balão se aloca em pequenas cavidades do estômago e esvazia-se um pouco. Com isso, o organismo passa a se adaptar e a “burlar” o tratamento, que perde parte do efeito.
  6. Nesse momento, os médicos “reinflam” o balão, preenchendo-o novamente com a solução salina. Com mais volume, o balão sai do seu “esconderijo” estomacal e volta a cumprir seu papel de ocupar espaço no órgão
  7. A “reinsuflação” pode ser feita de duas a três vezes, o que resulta em uma vida útil de até um ano para o balão. Quanto mais tempo no organismo, mais tempo para o emagrecimento acontecer. A retirada do balão é feita também por meio de endoscopia.

Pré-procedimento

Como não é considerado uma cirurgia, o procedimento não exige cuidados específicos antes de ser realizado. A orientação é a mesma para quem vai passar por uma endoscopia, jejum absoluto durante as 8 horas anteriores ao procedimento.

Tempo de duração

20 a 30 minutos.

Contraindicações

  • Pacientes que já passaram por algum tipo de cirurgia estomacal.
  • Pacientes com úlcera, hérnia de hiato ou qualquer outra complicação no estô
  • Pacientes menores de 18 anos.

Indicações

  • Pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 27 e recomendação médica
  • Pacientes com sobrepeso ou obesidade em qualquer nível

Em pacientes com elevado nível de obesidade que precisam eliminar peso e reduzir seu risco cirúrgico antes de se submeter à cirurgia bariátrica ou outra cirurgia.

Cuidados pós-procedimento

Alimentação semelhante à de pacientes que passaram por cirurgia bariátrica: nos primeiros dias, líquida e pastosa.

Progressivamente, o paciente poderá introduzir alimentos sólidos, de acordo com orientação médica.

 

Plasma de Argônio

Para quem realizou a cirurgia bariátrica (By-Pass / Fobi-Capella) e voltou a ganhar peso devido ao alargamento da anastomose (ligação entre o estômago e o intestino), surge mais uma alternativa para facilitar a perda do peso readquirido.

O Plasma de Argônio é um método moderno em que o Brasil é um dos pioneiros em todo o mundo. No tratamento, são realizadas, em média, três sessões de aplicação do Plasma de Argônio (espécie de raio laser) com intervalos de um mês e meio a dois meses entre cada uma delas. O objetivo é diminuir o diâmetro da anastomose (região por onde passa o alimento que sai do estômago para o intestino), fazendo com que o paciente tenha saciedade por mais tempo, induzindo-o a comer menos. Com isso, desde que haja uma reeducação alimentar, a perda de peso volta a ocorrer. Alguns estudos mostram uma perda de até 100% do excesso de peso readquirido após a aplicação do Plasma de Argônio.

O procedimento é endoscópico e ambulatorial, ou seja, o paciente recebe alta logo após despertar da sedação.

 

PERGUNTAS FREQUENTES

 

O que é o procedimento de plasma de argônio?

É uma fulguração (cauterização) da anastomose Gastro-jejunal (entre o estômago reduzido e o intestino delgado) feita com o gás argônio (um tipo de laser). Promove a redução do diâmetro da anastomose trazendo novamente à saciedade alimentar. 

Quantas sessões de argônio preciso fazer?

A maioria dos pacientes necessita de três sessões. Alguns pacientes podem diminuir o diâmetro da sua anastomose com menos sessões (uma ou duas). 

Como é o procedimento?

O procedimento é realizado por endoscopia, sob sedação leve. Dura em média 20 minutos a primeira sessão e cerca de 15 minutos as sessões subsequentes. O procedimento é totalmente indolor, realizado ambulatoriamente (não precisa ficar internado), com alta cerca de 30 minutos após o término do mesmo. Indicado apenas em pacientes operados pela técnica do bypass gástrico (Fobi-Capella ou Wittgrove).  

Pago por sessão?

Sim, o paciente paga por cada sessão realizada. 

O plano de saúde cobre?

Planos não cobrem. 

Preciso ficar internado?

Não. É um procedimento ambulatorial. 

Como é a dor?

A maioria (cerca de 95% dos pacientes) não sentem absolutamente nada. Alguns poucos pacientes irão sentir uma queimação leve na “boca do estômago” e/ou sensação de gases.  

Vou tomar anestesia?

Não é anestesia geral, e sim uma sedação leve igual à de uma endoscopia habitual, com pronta recuperação do paciente ao término do procedimento. 

Preciso fazer dieta?

Sim. A idéia da dieta não é apenas para perder peso, mas também reduzir o desconforto após as sessões. Também, evita que os alimentos traumatizem essa área cauterizada e possa causar vômitos, sangramento e úlceras. 

E depois que acabar a sessão do argônio preciso voltar ao médico?

Sim, o acompanhamento e a reavaliação são necessários com periodicidade. 

Preciso de acompanhamentos de outros especialistas?

Sim, o paciente será acompanhado por equipe multidisciplinar. 

O médico que fez minha cirurgia bariátrica disse que esse procedimento é ilegal, é verdade?

Não, o argônio liberação pela Agencia de Vigilância Sanitária – ANVISA – para uso no Brasil.  

Quanto tempo depois da cirurgia bariátrica posso fazer o argônio?

Indica-se o argônio endoscópico após o reganho de 10% do peso mínimo após o bypass gástrico. Pode ser usado também para perda insuficiente de peso após a gastroplastia. Geralmente, indica-se após 24 meses da cirurgia bariátrica. 

Tenho que fazer todo ano?

Não necessariamente. Após finalizar as sessões, sugerimos controle em 6 meses com nova endoscopia para reavaliação. Mas uma nova sessão nem sempre é necessária.

Quanto quilos vou perder nas sessões de argônio?

Isso é variável. O objetivo não é uma nova perda de peso, mas a redução do diâmetro da anastomose. Com o diâmetro da anastomose menor, o esvaziamento gástrico fica mais lento e o paciente tem a sensação de saciedade precoce e isto contribui para a perda de peso. Observamos, em alguns casos, perdas de mais de 80% do excesso de peso que foi readquirido. Mas isso é uma média e não uma regra.  

Quantos quilos precisa engordar para que o argônio seja indicado?

Indicamos para ganho de 10% acima do peso mínimo alcançado após a Gastroplastia. 

Preciso fazer algum exame antes do procedimento? Sangue? Endoscopia?  Raio x?

Exames laboratoriais (sangue) e endoscopia. 

A Saída do meu estômago pode fechar muito?

Sim. Cerca de 5% dos pacientes desenvolvem uma cicatrização mais intensa e tem um estreitamento maior. Neste caso, pode ser preciso dilatar a anastomose. 

É verdade que às vezes o estômago sangra no procedimento? É perigoso? O que fazer?

Muito raro. Seguindo a dieta e as orientações, é pouco provável que isso ocorra. Se ocorrer, o médico deve ser avisado. Geralmente para sozinho, mas uma nova endoscopia pode ser necessária.  

Tomo vitaminas (em comprimido), posso continuar tomando nos dias do procedimento onde tenho que fazer a dieta líquida?

Sim. Mas devem ser trituradas na fase líquida. 

O que pode ocorrer com quem não faz a dieta depois do procedimento de argônio?

Pode ter sangramento, dor ou “entalar”. 

Tem como fazer argônio sem tirar o anel?

O anel só é retirado se ele estiver erodido, ou seja, dentro do estômago. 

Quanto tempo posso retornar as atividades físicas? (trabalho e academia)

Retorno às atividade laborais no dia seguinte e retorno as atividades físicas em 1-2 dias. Mas esta é uma média e depende de cada paciente. 

Como é o processo de emagrecimento com o argônio?

As sessões que mais perdem peso são geralmente a segunda e a terceira devido ao maior estreitamento da saída do estômago. Lembramos também que atividade física pode ser iniciada já no dia seguinte, bem como o trabalho, normalmente. Psicóloga, nutricionista e demais profissionais devem ser consultados para uma perda ainda maior do peso readquirido. 

Sou de outra cidade, há necessidade de pernoitar na cidade onde fiz o argônio? Posso dirigir?

Podem retornar para casa, mas com um acompanhante para dirigir e auxiliar o paciente. Não precisa dormir na cidade do procedimento, pois ele é de rápida execução. 

O plasma de argônio é indicado apenas em pacientes operados pela técnica do bypass gástrico. Quem fez Sleeve gástrico não pode optar por essa técnica?

Só para bypass. Nas demais, não temos anastomose entre o estômago e intestino. No Sleeve não há anastomose e no Duodenal Switch a anastomose é duodeno-jejunal. 

Tem restrições  quanto ao anel e o argônio?

Não. Não há restrições. Desde que haja alargamento da anastomose. 

Há CONTRA INDICAÇÃO, quais?

Não existe contraindicação absoluta, apenas relativas. Não indicamos se a anastomose ou o anel já são justos.  

O reganho de peso é uma regra?

O reganho de peso ocorre em cerca de 30 a 40% dos pacientes que realizaram a gastroplastia. E a imensa maioria destes pacientes têm dilatação da anastomose. Caso a anastomose apresente mais de 20 mm de diâmetro, o argônio está indicado. 

O procedimento é definitivo? Fazendo as sessões necessárias inicialmente, acontece o estreitamento provocando a saciedade e nunca mais preciso fazer novamente? Como funciona?

Assim como na cirurgia inicial, existe chance futura de reabrir parcialmente. Por isso sugerimos controle endoscópico em 6 meses após terminar as sessões iniciais. Pode precisar fazer outras sessões futuramente. 

Fiz a primeira sessão de argônio e não emagreci. Isso é normal? Não vou emagrecer?

O argônio estreita a anastomose, e isso ocorre aos poucos. É normal não sentir muita diferença após a primeira sessão. A segunda e terceira sessão geralmente são mais eficazes. Deve-se evitar alimentos e líquidos ricos em calorias, o que comprometerá o resultado. Conforme já reforçado, o plasma de argônio serve para diminuir o diâmetro da anastomose e não para emagrecer. O que leva o paciente a emagrecer é ingerir menos calorias do que gasta. 

Quantos quilos se perde com o argônio?

Depende de cada paciente. Mas, em média, até 90% do peso readquirido. Mas pode não haver nenhuma perda se não houver uma alimentação adequada e reeducação alimentar. 

O argônio tira a fome?

Não. Traz saciedade e limita a ingestão alimentar. 

Somente os operados no método de Capella que voltam a engordar?

Qualquer técnica pode readquirir peso, depende muito da disciplina alimentar do paciente e da atividade física. No Capella (Bypass gástrico) apenas podemos fazer o plasma de argônio. 

Quantas horas de jejum antes de fazer o argônio devo ficar?

12 horas. 

Como fica a suplementação de vitamina depois do argônio?

Pode usar os comprimidos triturados ou medicamentos injetáveis. 

Pode me dizer depois das 3 sessões quantos fica a anastomose?

Variável. O ideal é próximo de 12 mm 

É normal depois argônio se sentir entalada algumas vezes, pois tem dia que não consigo comer as refeições principais todas, principalmente as carnes. Parece que a comida está voltando.

Este é o objetivo. Reduzir a passagem e restringir a alimentação. Esse é o mecanismo para retornar à perda de peso.

Se o argônio precisa de dieta, nutricionista, acompanhamento psicológico e multidisciplinar não é mais  fácil eu somente voltar à reeducação alimentar?

Vale a pena fazer tudo isso antes. Mas sabemos que sem a restrição e sensação de saciedade fica mais difícil perder peso. Assim, o argônio é uma ferramenta interessante que deve ajudar.