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POSTADO EM 30 DE NOVEMBRO DE 2018

Acompanhamento psicológico é aliado no tratamento de pacientes bariátricos

No décimo Barilive, exibido na noite desta terça-feira (05), as psicólogas Maria da Guia, de Goiás, e Fernanda Kruschevsky, da Bahia, trouxeram para o debate ao vivo no Facebook as questões que envolvem os principais aspectos psicológicos entre os pacientes de cirurgia bariátrica e que alertam os profissionais nas fases pré e pós-operatórias. A conversa contou com a mediação do cirurgião bariátrico Dr. Marcelo Girundi. O bate-papo alcançou mais de 20 mil pessoas, além de gerar inúmeras interações, perguntas e compartilhamentos dos internautas durante a exibição.

As psicólogas explicaram a importância da avaliação entre os pacientes que pretendem se submeter ao procedimento, já que o objetivo é identificar e tratar alterações psicológicas e ou aspectos emocionais que possam prejudicar o sucesso do tratamento. De acordo com Fernanda, é nessa etapa que se verifica a percepção do paciente com relação aos seus comportamentos e que resultaram no diagnóstico de obesidade mórbida. “É importante avaliar como ele chegou a esse momento, a sua trajetória, sua história de vida e quais as ferramentas que ele tem para mudar esses comportamentos”, explicou.

Durante as consultas, além das orientações e informações sobre a cirurgia bariátrica – técnica cirúrgica, riscos e complicações, benefícios esperados, mudanças provocadas, consequências físicas, emocionais e sociais –, são trabalhadas as questões emocionais envolvidas no processo de mudança de hábitos e as formas mais saudáveis para lidar com a obesidade. 

Sinais de alerta

Maria da Guia elencou alguns “sinais” importantes e que não podem ser ignorados nessa fase para dar prosseguimento ao tratamento de forma segura: história de vida e, inclusive, de obesidade; tratamentos que o paciente já tentou, motivos que não permitiram sucesso nas tentativas anteriores, comportamentos de indisciplina ligados a transtornos psicopatológicos, como transtorno bipolar, depressão bipolar, transtorno de ansiedade ou alimentares, entre outros.

No papel de cirurgião bariátrico, Girundi comentou que uma das preocupações da classe médica diz respeito à real expectativa de cada paciente, já que há casos em que a pessoa transfere para o procedimento médico a tentativa de solução de inúmeros outros problemas. “A cirurgia, quando feita com responsabilidade, é efetiva para reduzir a obesidade e as comorbidades. Mas há pacientes que acham que a operação vai resolver ainda problemas no casamento ou até mesmo na conta bancária”, salientou, destacando o papel da equipe multidisciplinar na preparação adequada desse tipo de paciente.

Fernanda lembrou que pacientes que se submetem a uma cirurgia bariátrica, em geral, sofrem com baixa autoestima, exclusão social e são vítimas de outros tipos de sofrimentos acumulados ao longo da vida. “É necessário trabalhar com o paciente para que ele não se frustre consigo mesmo. Não dá para colocar todas as expectativas da vida na cirurgia e isso deve ser trabalhado no pré-operatório”, argumentou.

Maria da Guia lembrou que, em muitos casos, a comida e a própria obesidade são fatores de “proteção” do próprio paciente e apontou dois perfis diferentes que recorrem à cirurgia bariátrica: aquele que chega com “desconforto emocional” por ser obeso, mas que ainda não identificou suas falhas e que, quando bem orientado, costuma ter resposta satisfatória no pós-operatório.

Já o outro perfil é o do paciente que traz a obesidade como sintoma de um quadro emocional. “Nesse caso, é necessário auxiliá-lo a identificar essas dificuldades e orientá-lo sobre a necessidade de um tratamento paralelo”. Segundo a psicóloga, quando o paciente entende e aceita isso, os resultados também costumam ser muito positivos.

Objeto de compulsão

Questões como depressão e a transferência do “objeto de compulsão” da comida para outros focos, como compras ou mesmo o álcool e as drogas também foram abordados durante a conversa. “O paciente bariátrico precisa ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar durante toda a vida”, enfatizou Girundi.

A Barilive é uma nova proposta da diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica de informar a população sobre temas relacionados à cirurgia bariátrica e metabólica. As transmissões são semanais e acontecem sempre às terças-feiras, às 20 horas.

O tema desta semana foi proposto pelo Núcleo de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Na próxima terça-feira, dia 12, o tema será “Cozinha Experimental Como Estratégia de Educação Alimentar“, sob a coordenação do Núcleo de Saúde Alimentar da SBCBM.

 

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica 

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